18.5.09

A Torre

Passara anos percorrendo os quatro cantos daquele reino em busca do monumento que agora tinha à sua frente. Loucura para alguns, sonho para outros, as histórias sobre as infindas riquezas em uma torre sem fim eram famosas entre os cavaleiros da época. Mas poucos acreditavam nas lendas de um colosso de pedra que só poderia ser visto por quem se aproximasse a ponto de tocá-lo, nunca de uma distância maior do que isso. O mesmo lugar que ele observava atônito naquele momento. Há alguns passos estava a entrada da torre. Sem portas ou obstáculos. Apenas um simples pórtico de rochas onde começava a ameaçadora escadaria. À medida que subia, a luz vinda do portal lentamente se apagava dando lugar à escuridão. Completa e inquietante, quebrada apenas pelo som dos degraus sendo vencidos. Até que a luz começasse iluminar o corredor circular novamente. Parou alguns segundos até que sua vista se reacostumasse com a claridade. E entrou. Uma repentina falta de ar, quem nem os incontáveis lances de escadas foram capazes de provocar, quase o derrubou. Encontrara lá uma sala completamente vazia, empoeirada, fria. Sem nem ao menos uma minúscula caixa, que pudesse nutrir uma ínfima esperança do tesouro prometido. Meio cambaleante, se aparou contra o parapeito da única janela daquele cubículo de pedra. Respirou fundo e abriu os olhos. E, diante deles, estava a mais magnífica vista que um ser humano jamais vira. Era possível ver o branco das montanhas, os laranjas dos desertos, os verdes dos campos e os azuis dos mares mais longínquos. As cidades, suas pessoas, suas feiras e suas muradas. As estradas e sebes fomando um desconexo padrão xadrez sobre a pele da terra. Tudo sob a luz de um sol e um céu intensos como nunca foram. Depois de alguns poucos minutos, o cavaleiro desceu novamente as escadarias e seguiu com seu cavalo. Sem marcar no mapa o lugar onde encontrara o momento mais bonito de sua vida.

16.4.09

Sombra e água fresca

7.4.09

Da série: garotas que vamos estar ficando apaixonados em breve.



Summer, digo, Zooey Deschanel.

1.4.09

Living on the edge

Eu assalto a geladeira de madrugada e escovo os dentes depois. Obesidade mórbida sim. Mas com dentes brancos e hálito puro.

31.3.09

A cura

Ele abriu seu discurso falando da falibilidade do ser humano. Passeou pela descrições amorosas de Shakespeare a Machado de Assis. Desfilou argumentos das novelas de Janete Clair e dos clássicos de Billy Wilder. Evocou, equivocadamente, as religiões poligâmicas e até o inexplicável poliamor. Por fim, desapegou-se de referências mais cultas e apelou para a excruciante dor de um coração partido. Ela escutou pacientemente cada um dos argumentos. E, sem mover uma linha de expressão, tirou da bolsa um band-aid e lhe entregou sem nenhuma palavra.

23.3.09

Punch Drunk Love

18.3.09

Thou shalt not laugh

Em tempos de médicos excomungados e estupradores perdoados, cometa o 8º pecado capital - baixar arquivos gratuitamente pela Internet - e assista o quanto antes o documentário ""Religulous". Apresentado pelo comediante americano Bill Maher e dirigido por Larry Charles, diretor de Borat e ex-roteirista de Seinfeld, o filme segue a linha humorística de Borat, que faz rir com entrevistas extremamente constrangedoras. Mas, ao contrário do ignorante jornalista do Cazaquistão, Bill Maher dobra seus entrevistados com muito conhecimento e bom humor. E falando de um assunto bem delicado: religião.



Apesar de passar 80 por cento do filme espinafrando os cristãos (protestantes e católicos), religiões maioritárias nos EUA, o humorista também reserva boas esculhambadas para judeus, muçulmanos, mórmons e até cientologistas. Sempre utilizando suas próprias escrituras e dogmas para mostrar o quão absurdas são suas crenças. Muitas são as vezes que os entrevistados mal conseguem esconder a vergonha de terem sido pegos em situações rídiculas.



Cenas de filmes bíblicos dão um tom ainda mais sarcástico por todo o documentário e até uma interessante convocação, para que os ateus saiam do armário, é apresentada. Mas, no fim, mais do que uma explanação sobre as maluquices de cada religião, fica uma forte mensagem de como a fé desenfreada pode gerar coisas muito piores do que um filme cheio de gracinhas.

Recomendado fortemente para minha herege preferida.